Para o advogado criminalista Thiago Correia, a resposta a episódios de desvio de conduta na advocacia deve equilibrar rigor e garantias legais. Em participação recente no EJUPcast, ele defendeu que eventuais abusos sejam investigados e punidos com firmeza, sempre respeitando o devido processo legal e a ampla defesa, ao mesmo tempo em que alertou para a necessidade de preservar a confidencialidade entre advogado e cliente, elemento que considera essencial ao exercício da defesa e ao Estado Democrático de Direito. Na avaliação do criminalista, condutas individuais devem ser responsabilizadas, mas a advocacia como categoria não pode pagar pelos desvios de alguns de seus membros.O posicionamento ganha força diante de casos recentes registrados no Rio Grande do Norte. Nesta terça-feira (28), a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no RN (FICCO/RN) deflagrou a Operação Gravata, que apura o uso de duas advogadas como intermediárias para repasse de ordens de uma liderança criminosa presa a comparsas em liberdade. A ação cumpriu cinco mandados de prisão preventiva e oito de busca e apreensão em Natal, Parnamirim, Macaíba e Nísia Floresta, apreendeu celulares, entorpecentes, dinheiro e um veículo blindado, e resultou em medidas cautelares que proíbem as investigadas de visitar presos e frequentar unidades prisionais.Esse não é um caso isolado no estado, que já registrou situações semelhantes envolvendo o uso da prerrogativa profissional para viabilizar comunicação entre lideranças presas e organizações criminosas. É justamente nesse cenário que a fala de Thiago Correia ganha relevância, ao reforçar que a punição de condutas individuais comprovadas não pode servir de justificativa para restringir direitos e garantias de toda a categoria, e que o combate a essas práticas exige investigação rigorosa sem abrir mão do devido processo legal.







